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Luiz Vaz de Camões
Príncipe dos poetas e autor de Os Lusíadas — a voz que deu forma à língua portugueza.
Grafia tradicional: Luís Vaz de Camões · Luís de Camões
Luiz Vaz de Camões (c. 1525–1580) é o maior poeta da língua portugueza e o autor de Os Lusíadas, a epopeia que deu à nação a consciência de si mesma. Soldado e desterrado, cego de um olho e pobre de bens, legou contudo a Portugal aquilo que nenhum rei lhe pôde dar: uma voz à altura do seu destino.
Vida
Terá nascido por volta de 1525, talvez em Lisboa. Fidalgo de poucos haveres e muita audácia, conheceu o favor e a desgraça da corte, e o desterro que o levou a servir como soldado em Ceuta, onde perdeu o olho direito. Embarcou depois para o Oriente portuguez — Goa, Malaca, Macau —, e na foz do rio Mekong naufragou: diz a tradição que salvou a nado o manuscrito d'Os Lusíadas, deixando afogar-se a amada Dinamene. Regressou pobre ao reino e pobre morreu, a 10 de Junho de 1580, no limiar dos anos em que Portugal perderia a independência.
Os Lusíadas
Publicada em 1572, em dez cantos de oitavas, a epopeia canta a viagem de Vasco da Gama à Índia e, com ela, toda a história e o destino de Portugal. Abre com os versos que todo o portuguez reconhece:
«As armas e os barões assinalados / Que da ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados, / Passaram ainda além da Taprobana…»
Nela convivem os deuses do Olimpo e a fé cristã, a geografia dos Descobrimentos e a meditação sobre a glória e a queda dos impérios. É, ao mesmo tempo, crónica de um povo e advertência sobre a fragilidade da grandeza.
Porque importa
Camões não é só um poeta do passado: é o espelho onde Portugal aprendeu a ver-se como povo. Deu forma definitiva à língua portugueza e fez de um pequeno país à beira-mar uma das grandes vozes da literatura universal. Por isso Portugal escolheu o dia da sua morte — 10 de Junho — para celebrar a própria pátria, e por isso a Associação Memória Lusíada o tem por patrono.